29 janeiro 2014

Como ter uma boa amizade na escola.




Costumo pensar em felicidade ao decorrer de meus poemas e frases, a maioria feito em folhas brancas demonstrando sentimentos diversos. Mas é sempre na escola. Escola. O único lugar em que vivo de verdade; sinto que Deus está me preparando para o mundo lá fora, para eu aprender a aturar os “filhos da lua” com cautela, amadurecer com pessoas amáveis, e saber lidar com as diferenças. Eu aprendi a levar sempre minha pequena agenda em branco em minha bolsa e tira-la naquele momento de sufoco. Aquele momento que nenhum amigo é capaz de me salvar da minha própria imaginação. Por que imaginação é gratuita? Não que tenha apenas contras, mas a minha própria imaginação me destrói e na escola não é capaz de expressar teus sentimentos para qualquer um.



- O que você tem? – Disse Leandro, tua voz era meiga 
- E realmente importa? 

Não, não importa o quanto você possa ser humilde e bondoso, no fundo este tipo de pergunta é feita para "mostrar preocupação", não que a pessoa queira escutar a resposta. Como as coisas são previsíveis não? Eu acabara de pensar que sentimentos mesmos á tona não poderiam ser expostos, e alguém acaba de perguntar "O que eu tenho". 

- Não. 
- Ótimo. 

Mas um para minha mini lista negra. Acabara de partir, ele não queria a resposta, ninguém nunca quer. Eu só queria alguém para se importar e que me desse um abraço que me fizera sair do chão, e tirasse de minha cabeça a ideia de que eu poderia morar em outro planeta.

- O que você tem?  Disse Bianca, tua voz era suave  

Não respondi. Por pura ignorância, os sentimentos estavam sendo escritos no papel, e eu já estava cansada dessa pergunta. 

- Ok. 

Obrigada Bianca. Me deixar sozinha com meus pensamentos absurdos foi a melhor coisa que você fez na sua vida. Pode ter certeza. 

"Garoto, o brilho dos teus olhos ofusca tua beleza"

Fechei rapidamente as páginas quando percebi que estava sendo espiada; alguém leu minhas frases. Mas percebi que era um garoto na mesma situação que eu, lapiseira na mão, mochila jogada no chão, desenhos amassados em volta da mesa, me olhava, um olhar desconhecido de um garoto desconhecido. 

- Não vai me perguntar se está tudo bem? 

O sorriso veio, as sobrancelhas se levantaram, as bochechas rosadas criaram forma e o olhar falou por ele. Mas eu insisti. 

- Você não vai me perguntar o que está acontecendo comigo?
- Não. 
- Por que?
- Porque eu não sou todo mundo. 

Foi a partir dali, que surgiu a minha primeira amizade. 

Yasmin Ariadiny 

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