28 janeiro 2014

Devaneio escolar

(tinha a música Get Lucky- Daft Punk aqui, mas sou lerda e não consegui deixar bonito,  quem quiser ouvir, procura ae)

Na escola, era difícil se concentrar no que o professor dizia. Ela achou que ele só falava de coisas sem importância. Olhava pela janela, alheia aquela aula interminável, não observando as nuvens e suas formas, como era descrita a distração em livros, mas o caminhar das pessoas. Contava os passos de uma garotinha, que corria livre por um jardim decadente, quando a menina tropeçou e caiu. A garota permaneceu no chão, como se tentasse compreender o que havia acontecido... Como poderia, eu, estar há pouco brincando com o vento e agora estar enterrada no chão sujo!? Ela olhou para os lados, como se se certificasse de que ninguém havia visto seu pequeno acidente, levantou-se, sacudiu seu vestidinho e correu em direção à sua casa. A jovem voltou sua atenção à aula, mas parecia continuar no mesmo ritmo lamentável.
Concentrou-se em pensar na cena que havia acabado de ver. Lembrou-se de que, quando era uma criança, sentia-se assim ao ir para a escola, em uma brincadeira de correr, sentia-se livre e divertida, como se nada fosse se complicar. Lembrou-se dos desenhos e da tinta com a qual, alegremente, pintava a parde e os colegas em momentos de travessura... Sentiu saudades de se alegrar com os colegas, com as pessoas, com aquele ambiente que já havia sido seu jardim, tão deplorável quanto o da garotinha se pensando bem, mas ainda assim, seu lugar. Pensou no momento em que a menininha caiu, algo tão inesperado. Exatamente porque a gente nunca espera mesmo que vá cair, mas caímos. E é tão frustrante reconhecer que aquela diversão da qual há poucos segundos aproveitávamos, acabou... Foi como quando ela percebeu que a escola havia mudado, que não haviam mais pinturas, nem risadas espontâneas, que as crianças não brincavam mais, que agora brigavam, gritavam e se concentravam apenas em destruir umas as outras. Foi triste.
Ao pensar sobre isso, sentiu um pesar tão grande, uma frustração. Seus olhos ardiam e se sentia trêmula. Sabia do que precisava. Sabia o que devia fazer.
- Com licença professor- levantou a mão e falou, simultaneamente.
- Sim!?- disse o professor, aparentemente irritado pela interrupção.
-Eu... eu não sei sobre o que estava falando e, para ser sincera, nem me importo, aliás não sei nem em qual aula estamos, o que eu sei é que não posso mais ficar aqui. Esse ambiente é deprimente, veja como até rima! Suas palavras soam monótonas e distantes, você não quer estar aqui. Ninguém quer, não assim. A gente quer estar com os amigos, debater sobre temas importantes e descobrir o que faremos da vida, não sobre... Seja lá que caralho esteja explicando. Me desculpe, mas se isso é a escola e se isso é aprender, tá todo mundo numa grande MERDA.- Gritou a última frase.
Empolgada, a garota caminhou em direção a porta e ao alcançá-la, bem... mostrou o dedo do meio ao professor e enquanto seguia seu caminho, falhando em conter a animação, sentiu abrir em seu rosto um sorriso há muito esquecido.

Esther Lisboa

Nenhum comentário:

Postar um comentário