17 janeiro 2014

Porto Seguro

  
   
   Ao refletir sobre o que seria um porto seguro, surpreendi-me com a quantidade de respostas diferentes que poderia receber. Uma coisa, uma pessoa, um animalzinho de estimação... Tudo pode assumir um papel de grande importância na vida.
  Quando eu era pequena, fiz um trabalho de escola sobre quem era o meu herói, então desenhei meu pai. Na mesma época, ao me perguntarem quem era o homem mais bonito que eu conhecia, respondi ser meu pai. Algum tempo depois, perguntaram-me novamente quem era o homem mais bonito, dessa vez respondi ser o Robert Pattinson. Pensei se, talvez, o meu herói também teria mudado, mas o posto continuava sendo espontaneamente ocupado pelo meu velho. Não, meu pai não é meu porto seguro, mas com certeza já foi um dia. Hoje, eu caminho quase com minhas próprias pernas e penso que se sentir seguro é muito mais do que estar perto de quem cuida da gente... Talvez seja estar perto de quem nos conhece e respeita, acima de tudo.
  Tive uma amiga que tinha muitas bonecas e que as adorava e estava sempre comprando novas, um dia descobri que ela não gostava de dormir na casa das colegas porque não gostava de ficar longe das bonecas, não da mãe, nem do pai, mas das suas estúpidas bonecas. Algum tempo depois, grande o suficiente para compreender que as bonecas faziam mais parte da vida dela que os pais, consegui superar meu pequeno julgamento. 
  E nem é necessário falar sobre quantas pessoas transformam seus bichinhos em membros da família, em um depósito de afetos e segurança desmedidos.Ao pensar, durante essa semana de férias em família, impossível não imaginar que nela estaria minha segurança , mas ai percebi que ninguém se conhece mesmo, de verdade. A segunda e mais óbvia opção seria Deus, porque eu fui criada para pensar assim, então percebi que a gente não escolhe nosso porto seguro e que ninguém pode aponta-lo em nosso lugar. Pensei até no meu quarto, mas percebi que iria abandoná-lo ao sair de casa. Pensei nos meus estudos que podem me garantir, no futuro, tudo que eu quero, mas percebi que não posso por minha segurança em uma possibilidade. Assumi ser impossível decifrar o próprio porto seguro até que, assim que acordei numa manhã de domingo, percebi o que talvez, fosse meu porto seguro. Não posso lhes dizer o que, nem acho que queiram saber, a questão é que ,só na tranquilidade é possível se compreender o suficiente para descobrir isso. Pensei que, talvez exista um porto seguro em comum, um lugar, um espaço, um momento que deixe todas as pessoas do mundo em tranquila sintonia, mas não tenho certeza.  Só pude, ao fim da minha reflexão concluir que, um porto seguro não é escolhido, não é algo ou alguém aleatório, é aquilo que te toca, é aquele que te reconhece, que te aceita na indecisão do conhecer. 
  Posso dizer que o mundo não gira devagar o suficiente para pararmos para pensar sobre a vida, mas posso dizer que a vida pode nos ajudar a criar um novo mundo, só para pensarmos mais nela, só para garantirmos sua segurança.


Esther Ferreira

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