30 março 2014

Uma doença calou minha boca


O telefone tocou. Era uma voz amiga querendo me contar suas aventuras de dias melhores. Me falou até se cansar e ir atrás de outra tarefa, de outra vítima de sua felicidade.
Eu fiquei ali, calada, ouvindo o som da chuva e pensando no quanto não me importava com aquilo, quer dizer, minha boca estava lacrada pois não se nega ouvido amigo porque nunca se sabe quando vai precisar de uma vítima de felicidade. Não sei até que ponto se pode sofrer pela felicidade alheia sem ser egoísta, mas acho que não existe satisfação em ser ouvido amigo quando não se sente bem. Alegria só é alegria se compartilhada, quando a via é de mão dupla, agora eu conto flor e tu me canta amor e assim a gente ri junto. Não sei quem disse que tudo bem contar carinhos para quem só está recebendo... nada, pois quanta insensibilidade! Não dá para chamar para perto do time vencedor, logo após a conquista aquele time segurando a placa de segundo lugar, ou seja, de perdedor, de solitário, de boca calada.
Sei que muitos vão me chamar de egoísta e dizer que não mereço nem um pouquinho de felicidade para compartilhar, mas quer saber!? Essa doença que me cala, te cala também, cala meu amigo e o leitor, cala até o padre que não pode dizer não, cala até o sol, que não pode brilhar o tempo todo.

Anony

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