01 abril 2014

A matança da mudança


Hoje eu quero mudar. 
Você não!?
É certo que todos  estão sempre buscando uma transformação, seja ela grande ou pequena, todos estão sempre alertas à um sinal de que haja a mínima possibilidade de mudança, isso porque estamos sempre insatisfeitos e cansados da vida. E a culpa só pode ser da vida mesmo, porque a gente nasce prontinho para aprender e desde crianças é apenas o que fazemos a cada dia, aprendemos, aprendemos e aprendemos. Acho que , talvez, eu seja a única cansada de tanto aprender, cansada desse desejo incessante de mudança, de insatisfação, cansada de buscar o inalcançável.
Gente chata me disse que a mudança gera desenvolvimento e eu concordo. Mas você não está cansado de destruir tudo para desenvolver algo que nem a gente sabe exatamente o que é. Todos temos objetivos e devemos buscá-los, com certeza, mas talvez não precise de tanto, se todos apenas parassem por algumas hora, se se permitissem respirar e não apenas transpirar sob seus ternos e uniformes quentes... Se todos não se permitisse apenas deitar na cama e devanear por alguns segundos ao invés de ficar horas sentados em cadeiras duras adquirindo esse tal conhecimento que só está enlouquecendo a gente.
Eu também queria mudar, me conformar com a agilidade da vida, com a falta de ar da rotina, com o aperto dos sapatos que usamos o dia todo, com gente atropelando os outros para subir na vida. Mas não acredito que tirar umas horinhas vá impedir alguém de crescer, de evoluir, porque talvez, o que a gente precise mesmo, seja de algumas horas de liberdade e não essa liberdade de final de semana, preocupados com a prova de segundo, com o relatório de terça e a consulta de quarta ou ainda, a viagem do final do ano. Será que é errado querer um pouquinho de paz!? Querer que a vida pare um pouquinho quando a gente se machucar!? Olho ao meu redor e só vejo gente morta, gente cansada e infeliz, insatisfeita com o rumo da vida que tanto buscaram transformar... Gente pedindo um pouco de atenção e carinho, mas essas coisas não estão inclusas no pacote do desenvolvimento e a gente sofre mesmo sendo desenvolvido... E tanto se desenvolve, desenrola, dedica, desdobra, desbasta, desempacota só para acabar empacotado num caixão qualquer, após uma longa vida de desenvolvimento solitário. E não há nada pior que a solidão, numa sexta feira de madrugada então é para entrar em depressão. Mas o mundo não vai parar. O mundo não para. Ninguém para. Pior, ninguém se importa.
Talvez eu esteja errada. Mas me permito mudar. Mudança ao meu tempo. Do meu jeito. Na liberdade da minha preguiça e na alegria da minha paz.







Esther Lisboa

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