24 abril 2014

A peça- faltou/ falta/ faltará



Ontem passei boa parte da minha noite (a qual eu deveria estar estudando, como a pessoa responsável que sou- só que não) conversando com uma amiga que há muito eu não falava porque tínhamos "brigado". Bem, a questão é que falamos sobre o modo como necessitamos de certas coisas para nos sentirmos completos, exatamente como se fossemos quebra- cabeças, de infinitas peças que, com o tempo, perdemos e encontramos incessantemente.

A peça da vez era paixão (amor, carinho, gostar, seja lá como se chame isso), e refletíamos sobre como é estranho não estar apaixonado. Que fique claro que o ponto não é o sentimento, mas o modo como os sentimentos influenciam em quem nós somos e em como nos vemos porque quando falta algo, no caso um sentimento, com o qual estamos muito acostumados, nos sentimos incompletos, inacabados. E assim acontece com todas as coisas na nossa vida, digo, quantas vezes, após um término de relacionamento, as pessoas não ficam sentindo-se vazias, tristes e solitárias, como se estivesse sobrando espaço demais na vida para uma pessoa só ( porque, afinal, não existem mais 7 bilhões de pessoas no mundo que sejam boas o suficiente para suprir o vazio deixado por aquela maldita pessoa que foi embora) e assim a gente segue, com o nosso egoísmo de acreditar que realmente não existe ninguém melhor , que só uma pessoa, aquela pessoa, pode nos completar, esquecendo de tantas outras que poderíamos conhecer se nos permitíssemos sermos surpreendidos pela vida.
Cresci acreditando no amor verdadeiro, sincero, honesto, humilde, gentil e todas as outras qualidades que se podem dar para algo que já é uma qualidade, que é a capacidade de amar. Porém, hoje, após algumas situações que já vivi( porque sou a experiência em pessoa), não sei se ainda acredito nisso porque são tantos pedaços deixados para trás, são tantos sonhos, tantos abandonos, desilusões e oportunidades perdidas que fica difícil acreditar que exista algo suficientemente forte para resistir à isso, para superar todas as adversidades e, ainda assim, ter disposição de encarar a luta que é dividir a vida com alguém, seja essa pessoa quem for.
Não quero soar descrente porque não é essa a proposta da minha vida( nem muito menos do blog), mas gostaria muito de ver, pelo menos uma vez ao dia, algo que me fizesse acreditar nisso novamente, acreditar que o amor e todos os sentimentos bons que desperdiçamos todos os dias com as pessoas, são na verdade, premissa de um futuro maravilhosos e recompensante porque a realidade explorada, já  não aquece os corações.



Esther Lisboa

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