18 abril 2014

Mercadoria viva


O que acontece com as pessoas!?
Elas buscam na necessidade e nos esquecem na felicidade. A gente virou peça descartável, jogador reserva que se limita a esperar o momento de entrar em campo.
Como a gente se engana com as pessoas! A gente é tão bobo e se sente tão essencial na vida dos outros que esquece das outras bilhões de pessoas disponíveis por aí, e se esquece da inconstância do ser, da facilidade de se trocar um pneu...Ops, uma pessoa, após um acidente. Nos esquecemos que somos dispensáveis. 
Porque a gente espera por tanta consideração e sofre quando somos postos na realidade do abandono, como um animalzinho qualquer largado na primeira esquina deprimente em frente a um bar decadente. 
Porque não sabemos lidar com a surpresa, com a inesperada falta de interesse de um amigo que a todo momento te procura, te acompanha e releva suas falhas por, aparentemente, gostar demais de você. Até que você deixa a chave dele cair no chão molhado e dá a ele a oportunidade “perfeita” de te deixar para trás, com cara de idiota desentendido e com peso de um crime que não é seu. 
A verdade, tão bem mascarada que descobri, é que temos prazo de validade. Que como um refrigerante sem gás, uma figurinha de um álbum perdido, uma comida podre, a gente também passa pelo momento em que perdemos completamente o valor e viramos apenas peças antigas que se tornarão artigos de decoração. E aquelas cartas, abraços, risadas e todas as boas lembranças se tornam montinhos incômodos espalhados pela nossa vida, assombrando nossa dignidade. 
Gosto de fins impactantes, mas a realidade expressa da irrelevância humana já é mais que suficiente para levar ao desespero algumas pessoas que sofram, espero, não por já terem sido abandonadas, mas por saberem que, como todos, ao iniciarem uma relação com alguém, vão logo colocando a etiqueta mostrando o nível de importância, a qualidade do indivíduo ao exercer sua função e escondendo em um bolso qualquer a carta e a data do adeus.

Esther Lisboa

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