07 agosto 2014

O meu vício de insistir nessa saudade que eu sinto, de tudo o que eu ainda não vi....


Se você é como eu, sabe que quando a vida não apresenta escapatória para os problemas, há sempre duas opções:

1. Ou você se desidrata de tanto chorar a alma pra fora, ouvindo música depressiva e não fazendo o menor esforço em conter pensamentos negativos ou lembranças excruciantes,
2. Ou você recorre à escrita.
Já passei da primeira fase, podem imaginar o desfecho.

E já que o blog também é meu, eu quero explicitar aqui que não se trata de um simples drama pós-probleminha, eu estou em um conflito interno tão emaranhado no presente momento, que está sendo difícil encontrar um adjetivo que ilustre com clareza o quanto. Enraivecida, colérica, furiosa, tempestuosa, revolta, impaciente, aborrecida... E possivelmente descortês.
Motivo: A vida, num belo dia veraneio destes, decidiu por si própria que iria tornar-se um martírio sem cura a cada segundo abençoado que me foi concedido.

"Reclamar num blog não vai resolver nada, cresça e resolva seus problemas ao invés de expôr a sua vida ao mundo e bleh bleh bleh" DEIXA DE SER CHATO. Você também chora no banho, que eu sei.

"Mas Ana, qual diabos é a relação dessa imagem bonitinha e esse título descaradamente parafraseado com o texto?"
O sentido é: Já que a vida não tá mais sorrindo pra mim, eu é quem tenho que dar-lhe um motivo para tal, right?

As divergências tem se tornado a cada dia mais proeminentes, e pra ser franca... Não sei até que ponto eu consigo prosseguir. Nunca pensei que fosse possível cansar de viver. (NÃO TÔ PEDINDO PRA MORRER, QUERIDO UNIVERSO)
E aí você, meu querido expectador com a vida superficialmente perfeita e livre de conflitos, me diz que eu estou ampliando demasiadamente tantos problemas simples do cotidiano: Não. Tá certo que eu posso vir aqui pra relatar o quanto eu estou psicologicamente agressiva, mas o que veio a suscitar isso... É um tópico mais pessoal e atribulado.

Sobre a imagem: É exatamente o que é. É o meu maior desejo no momento. Que esse feeling de liberdade me invada em todos os sentidos, a ponto de que eu queira balançar as pernas no ar sem nenhuma razão aparente. Sozinha, e que isso não seja ruim. Que a minha própria companhia seja a melhor que eu possa ter.
Sinto falta de poder conversar com alguém e saber que pro meu ouvinte, o que sai de mim é visivelmente sincero. E que ele saiba me ouvir, falar e consentir, ou só me dar um colo sem julgamentos e não uma lista com todos os erros que eu cometi.
Sinto falta de estar bem estando só.
Sinto falta de sorrir, sabendo que o momento em que me foi despertada a alegria não foi algo meramente passageiro.
Sinto falta, principalmente, de um lar.

Seja ele interno, ou externo.

Sinto falta das coisas mais cândidas e inusuais possíveis. Cheiros, especialmente. É tão comum pra mim sentir um cheiro característico de alguma lembrança aprazível, do completo nada.
Sinto falta até das minhas tardes nostálgicas de leite com nescau e bolo de laranja,
De ficar juntando lego até construir uma catedral ou um robô gigante.
Sinto saudade das minhas madrugadas viradas, "falando sobre tudo, e não dizendo nada". Sinto tanta, mas tanta falta de ler um livro inteiro... Um que me aprisione à história por semanas a fio, do primeiro parágrafo ao ponto final.

Sinto saudade dessa sensação gostosa que todo mundo sente sem intenção de sentir. Esse ambiente de lar. Tô muito distante disso.

Sinto saudade. De mim. Do que eu fui, dos meus erros, dos tropeços imperdoáveis, dos medos monótonos, dos traumas. Sinto falta de me construir sem perceber, de errar e me constatar. Sinto falta de sentir. De ME sentir.
Sinto falta de você, seja você quem for quando eu reler este texto. Você que tem uma razão pra existir na minha vida, por mais inverossímil que ela se encontre.
Sinto falta de uma família.

Sinto saudade. Só o que sinto, sinto sem me sentir.


Ana.

Nenhum comentário:

Postar um comentário