02 setembro 2014

Ai, que preguiça...

 Desde pequena me diziam que quando eu crescesse só ia querer descansar, tirar uma folga, um cochilinho, curtir uma preguiça mas eu, muito orgulhosa, nunca ousei acreditar que toda aquela energia que me acumulava tantas noites insones um dia iria acabar... Muito menos assim tão cedo.
Agora vivo um pesadelo, ou melhor, quase o vivo porque a preguiça que me domina me impede de viver plenamente. O fato é: Tenho sono 24 horas por dia e muitas vezes a sensação que tenho é de que quanto mais durmo, mais sono tenho e que, quanto menos durmo, mais sono tenho e que, quanto mais vivo, ou respiro, ou pisco e falo, mais sono ainda, eu tenho. 
As aulas já não fazem sentido, porque no meio delas me perco entre um pensamento e outro, entre um cochilo e outro e aquela “pescada” finalmente fez sentido porque os meus compromissos são regados por inúmeros momento de distração, para não dizer outra coisa. Não vou negar que, no começo, tomava posse dessa espécie de sentimento, usava isso para me manter sã, me desligar um pouco da tensão da vida, mas agora o sono é que toma posse de mim e me leva para longe... Lugar de onde nem tenho vontade de voltar.
Hoje, isso me assusta um pouco, porque na etapa da vida em que me encontro, energia é essencial, para sair, me divertir com os amigos, fazer atividades extra, exercícios e, principalmente, decidir e me dedicar para o que quero fazer da vida, ou seja, estudar. Ah, chegamos em um ponto delicado! É verdade que já falei algumas vezes sobre o estresse e a correria da vida e como isso tudo me chateia e é errado, mas a verdade é que, enquanto as coisas não mudam, não tenho como estar alheia a isso, ninguém tem, portanto tenho que me dedicar tanto quanto ou até mais que os outros e não tenho a mínima ideia de onde tirar energia para isso.
Mas o pior de tudo, acredito, é quando nos decidimos a fazer algo (como postar semanalmente num certo blog), e por um mero acaso deixamos de realizar aquela atividade uma vez e então parece que tudo entra em pane porque você entra numa vibe de preguiça infinita e parece que retomar aquela atividade é tarefa impraticável. 

O que sei é que, tanto quanto o excesso de tarefas, a indisposição de realizá-las muito me incomoda pois como podemos reclamar do mundo se não fazemos nada para mudá-lo!? Bem, por isso tudo, só consigo imaginar quantas coisas incríveis, quantas criações maravilhosas já deixaram de aparecer pela indisposição de seus criadores, que preferem acomodar seus sonhos numa cama qualquer a lutar contra a doença mais poderosa desse mundo, que nos põe de cama sem remédio e sem dor, mas que para nos tirar, só na base do “mais 5 minutinhos”.


No poema da preguiça
Não cabe muita coisa
Cabe a minha, a sua, a nossa 
Preguiça

Nesse poema preguiçoso
Ia falar da preguiça
Mas me falta ânimo
Me falta o que faltar

A verdade é que todo mundo cuida como bicho 
De estimação, do coração
Não percebe que cultivando 
A gente colhe... nada

Um monte de nada
Presente da querida
Que muito tempo toma
Que muito sono traz

Mas que na hora de ir embora
Não quer ir jamais
Porque é bom se ajeitar num canto quente
Mesmo que no calor desse verão

A gente se ocupa e preocupa tanto
Só para vir a dona 
Sorrateira
E fazer a vida
Parar de
 ...




Esther Lisboa

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