12 novembro 2014

Cansei de ser resistência.




Não sei explicar o quão intragável é não poder dizer as palavras na ordem certa.
Qualquer cigarro parece insuficiente.

Eu tô exausta em cada medida do meu corpo, cada medida que você conhece.
E cada conhecimento seu sobre mim não é nada que eu desejo.
Ainda tenho tanto pedaço pra te fazer montar,
Tanto caco meu pra juntar...

Mais quantas vidas, amor, pra chegar a minha vez?
É um desperdício jogar essa tal cumplicidade fora...
Contornar a reciprocidade por conveniência,
Desviar o abraço
Enxergar, da debochada seriedade, intransigência.

O gosto do meu riso é melhor quando você me serve.
Me despe dos pesares restantes.
Me veste com a tua roupa mais bonita;
Me despe mais uma vez.

Eu gosto dessa nossa boemia.
Do sossego da nossa presença,
Dos medos dormentes.
Do embaraço das tuas ideias.
Da meia-luz te iluminando, fria.

Eu cansei da moral,
Cansei da censura,
da perda
da pena
da ética
do método

dos obstáculos
do politicamente correto
do moderado.

A minha sede é da insolência
da audácia
da coragem
do atrevimento
do abuso
do foda-se.




Solta a minha vontade, amor
que eu cansei de ser resistência.




Uma beijunda da Ana que é de praxe estar sumida, e um bônus pra complementar o feeling do texto:

3 comentários:

  1. Amo os poemas que buscam sentimentos internos e nos fazem refletir, amei, bjs e muito sucesso!!!!

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  2. Adorei o poema, lindo demais..Bjokas
    http://docemell20.blogspot.com.br/

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