15 dezembro 2014

Medo, medinho, medão


São tempo difíceis, isso é um fato. Está difícil começar esse texto porque estou fazendo um milhão de outras coisas e toda vez que começo, algo me interrompe e perco o fio da meada, mas vamos lá!
A verdade é que... Eu tenho medo, mas quem não tem?
Ontem acordei meio dia porque não tinha nenhum motivo para levantar mai cedo. O ensino médio acabou (oh yeah), eu não trabalho, fim de semana passado fiz minha última prova para tentar alguma faculdade (e me dei mal), agora não tenho muito mais o que fazer e as únicas coisas que me impedem de pegar o primeiro voo para a terra da insanidade são minhas aulas de dança e esse bendito blog.
Acontece que agora é aquele momento, que eu pensei que nunca chegaria, em que estou sendo obrigada a encarar os deveres e obrigações da vida e todo esse peso está acabando com o meu psicológico. Foi nesse meio tempo (duas semanas de liberdade e já estou pirando) que percebi o quanto eu sou uma pessoa medrosa. Caramba! Tenho medo de tudo. Tenho medo de crescer, medo de não crescer, de ter responsabilidades e de não ter também, de ter que mudar para ser aceita e medo de não ser aceita. Tenho medo de perder meus amigos de ensino médio, mesmo sabendo da quase inevitabilidade do fato, medo de perder tempo, de não ter objetivos e de não conseguir alcançar os objetivos que tenho. Tenho medo de deixar de fazer coisas legais e me arrepender, medo de fazer coisas chatas porque as pessoas querem que eu faça, tenho medo de não descobrir o que eu quero de verdade e de não conseguir ajudar as pessoas tanto quanto gostaria...
Essa sensação de incapacidade, imobilidade é tão sufocante, parece que chegou a hora de mostrar certas coisas e eu não tenho ideia de como fazer isso e a verdade confortadora é que... Ninguém sabe. Conversando com as outras moças desse blog ( Donas Xúlea, Byanka e Carolina) percebi que esses não são medos só meus e por isso estou compartilhando com vocês, porque eu constatei o fato ABSURDO de que as pessoas tem vergonha de ter medo como se isso as tornasse mais fracas ou piores que as outros. O que as pessoas, as vezes, não entendem é que o medo é, nada mais nada menos, que uma forma de auto preservação, um mecanismo de sobrevivência e não uma corrente para nos prender ou privar de novas experiências.
Conversando com minha terapeuta sobre tudo isso, ela me dizia que as pessoas mais felizes são aquelas que arriscam, que tem medo (obviamente, porque todo mundo tem) mas que não se deixam parar por isso. A questão toda é essa, ter medo não é o problema, o problema é deixar que isso tome conta de você e te impeça de fazer o que precisa fazer, o que gosta. A verdade é que a gente só pode planejar uns 60% das coisas, nos outros 40%  só precisamos ter a tranquilidade de saber que nem tudo depende da gente e que se não der certo, a gente pode tentar de novo.

Estamos presos a diversas convenções sociais que nos obrigam a fazer uma porção de coisas que não queremos e, pior ainda, termos medo de não cumprir com esses propósitos mas eu estou aqui para dizer que nós não precisamos ter medo. A gente não precisa ter medo desse futuro tenebroso que as pessoas pintam, nem de ter novas responsabilidades ou de crescer, nada deve nos abater, nos impedir, nos parar... E se for para ter medo, que seja de ter medo e que isso te impulsione a realizar novos feitos e seguir os teus sonhos porque não existe maior erro, que o medo de ser feliz.

Que a vida seja clara
Que deixe frescor na alma
Que o confronto seja calmo
Como a chuva que dá no verão


Que a gente não pense no sim
Mas também não pense no não
Que a gente espere a certeza
E ganhe a inconstância do ser

Que a alma se afogue na fenda do tempo
Que se encontra nas brechas dos mares
Se afogue no silêncio dos surtos
Na calmaria dos loucos

Que o caminho não tenha onde morrer
O nascer não tenha onde se frustrar
A terra não tenha onde se desfazer
O ar não tenha onde te sufocar

Onde calar o sopro dessa agonia
Gerar o terror dessa hegemonia 
Que se tenha tranquilidade
Em dizer talvez

Ser incerteza
Num mundo de experiências
De se doar por uma causa perdida
Mas achada por perambulantes

A gente se ergue por 20 segundo insanos
Para cair no sono dos santos
Na paz dos desajustados
No acomodo dos intocáveis

Que a gente tenha sangue frio
Mas que o sangue quente
Não intimide nossa geração
De gente perfeita, criada na colheita das solidões.


Esther Lisboa

3 comentários:

  1. Oiii e Wooow estou totalmente de boca aberta com esse post , vc me descreveu totalmente , peço até permissão para postar no meu blog com os créditos merecidos claro , saiba que ganhou uma seguidora fiél , amei de vdd o seu blog (e principalmente esse post) , kk

    s3mfronteiras.blogspot.com

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    1. Hey, Stephany! Obrigada pelo carinho <3
      Sinta-se a vontade para postar e fazer menção com relação a qualquer post do nosso blog (sim, somos mais de uma kkk saiba mais sobre quantas e quem somos aqui), apenas pedimos pra que você não se esqueça de colocar nossos créditos na postagem. E mais uma vez: Obrigada, flor. De coração (~*u*)~

      P.S.: Seu blog é um amorzinho!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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