05 dezembro 2014

Resenha- Mulheres

Henry Chinaski, Hank, 50 anos, escritor, alcoólatra, amante de música clássica e protagonista de MULHERES. 
Após quatro anos de um severo regime sexual, Hank conhece Lydia Vance, em um de seus recitais de poesia numa livraria e assim reinicia sua vida amorosa mas esse não é um livro convencional sobre um homem em busca de seu amor verdadeiro... Após muitas idas e vindas com Lydia, Hank conhece April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Tessie, Debra e muitas outras, com quem se relaciona por uma noite, uma semana ou mesmo alguns meses, descrevendo da maneira mais realista e fiel possível o temperamento e as loucuras de suas parceiras, Chinaski consegue transmitir sua tristeza, indignação e frustração consigo mesmo e com o mundo por meio de pensamentos profundos e bem elaborados.

"Eu caminhava e sentia-me cada vez pior. Talvez estivesse assim por ter lá ficado e não ter ido para minha casa. Era como prolongar a agonia. Que espécie de merda era eu? Podia, sem dúvida, fazer jogos falsos e sórdidos. Eu estava a tentar ganhar alguma coisa? Podia continuar a dizer-me que aquilo era apenas uma questão de procura, um simples estudo do universo feminino? Eu deixava apenas que as coisas acontecessem, sem pensar nelas. Só me interessava o meu pequeno prazer egoísta e barato. Parecia um menino de liceu mimado. Era pior do que uma puta; uma puta leva o nosso dinheiro e nada mais. Eu mexia com vidas e almas como se fossem brinquedos meus. Como é que podia considerar-me um homem? Como é que podia escrever poemas? Eu era feito de quê? Eu era um Marquês de Sade de segunda sem a sua inteligência. Um assassino era mais recto e honesto do que eu. Ou mesmo um violador. Eu não queria que brincassem com a minha alma, que a gozassem, que a ridicularizassem; ao menos disto tinha a certeza. Eu não valia um tostão furado. Pude sentir isso enquanto percorria o tapete de um a outro lado. Nem um centavo. Mas o pior é que eu fazia passar-me por aquilo que não era - um bom homem. Eu entrava na vida das pessoas porque elas confiavam em mim. Fazia o meu trabalho de maneira mais fácil."


Com uma visão completamente alternativa da vida e do mundo Charles Bukowski expressa por meio de Chinaski, seu alter ego e protagonista da obra, um pouco da realidade desajustada do mundo e apresenta mais dos desequilibrados do que dos perfis "certinhos" mostrados nos comerciais, valorizando o ser humano como ser emotivo, movido a prazeres e sentimentos destrutivos.

"Eu conhecia muitas mulheres. Porquê sempre mais mulheres? O que estava a tentar fazer? Uma nova ligação era excitante, mas também era uma coisa difícil. O primeiro beijo, a primeira foda têm algo de dramático. As pessoas são interessantes à primeira vista. Depois, lenta mas seguramente, todos os seus defeitos e loucura se manifestam. Sentia-me cada vez mais afastado delas; e elas cada vez menos me interessam."

Ah, e só uma coisa! O romance apresenta um vocabulário bem vulgar, há muitas descrições de cenas de sexo, bebedeiras e uso de drogas então se não gosta desse tipo de leitura, esteja avisado, haha. 


"Era bom estar fora deste tipo de coisas... Sentia-me contente por não estar apaixonado, por não estar contente com o mundo. Gosto de estar em desacordo com tudo. As pessoas apaixonadas tornam-se muitas vezes susceptíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas."

Um dos meus escritores favoritos, espero que vocês gostem também... Ah, e não julguem o livro pela capa ou por algumas partes "mais pesadas", leia e depois tirem suas conclusões, mas já digo que é difícil não gostar <3
Good Night

Esther Lisboa 

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