18 janeiro 2015

Ao Garoto de Aluguel








Eu sou um menino.
 Seu menino número um.
 Meu número da sorte, quatro.
 Duas mãos e dois joelhos.

 Eu sou um garoto.
 Diminutivo na tua suavidade,
 Ordinário em minha forma.
 Infinito na tua vontade.

 Eu sou um moleque.
 Brinquei de esconde-esconde,
 me escondi em meu peito.
 Pega-pega,
 antes que fosse pego.
 Fui polícia, e você ladrão.

 Eu sou um homem.
 Responsável pelo vazio dos bolsos e do peito.
 Condenado e inocente.

 Sou uma vida por noite,
 Não sou delas hora alguma.
  
 Roubaram meu nome, meu valor
 Minha candura, minha caixinha de joias,
 minha vergonha, aquela minha roupa e o dinheiro dentro do colchão.


 Sou teu menino por entre teus lençóis,
 Teu dinheiro por entre teus pecados,
 A sujeira em tuas mãos,
 O cheiro no teu pescoço.





 Eu sou um menino.

 Seu menino número um.

 Meu número da sorte, quatro.

 Duas mãos,
 uma cama, 
 um horário.





Entediadamente, Ana. 
*Agradecimento especial ao maravilhoso do Matheus Andrade por disponibilizar essa fotografia maravilhosa.*




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