27 março 2015

Metalinguística

Conto com vocês
Fiéis conselheiros
Para me guiar nesses momentos de escassez de paz
De turbulência de ausência
De fome de abraço
De calço sapato
De trago entalado

Tentemos
Ter esperança de não chorar nas madrugadas de sexta
De não nos surpreendermos com as decepções
De lavarmos nossos corações
Cantarmos nossos feitos
Realizarmos nossos sonhos
Soando como sinos

Como esse poema sem fim
Soa alegrias limitadas
Resenha tristezas rasgadas
Anuncia desejos 
Colabora com trechos
Os desleixos
Dos fechos coração


Uma figura de linguagem:
Metalinguística
Língua falando de língua
Falando com língua
Não é bem isso
Mas tenho licença poética
Mesmo não sendo poeta

Eu quero escrever sobre a vida
Sobre o vívido momento de ser
Sobre o pequeno momento de morrer
Eu quero escrever
Podemos falar sobre a sorte
Corpo sobre corpo
Pele grudada na pele

Aula queimada
Imagem apagada
É o que faço com meus saberes didáticos
Os mato
Como eles me morrem gradativamente
Como eles me sugam as certezas
E controlam minhas dissimulações

Talvez haja falta de fatos
Talvez exagero de atos
Eu mato e morro para saber
O que dizer para a decepção
O que ralhar para o abismo 
O que cantar para o sadismo
O que sonhar para o futuro

Eu paro
Suspiro
Penso no que fazer
E reso para toda sorte de encontros acontecer
Torço  e distorço os fatos
Amigos
Os conto, os rabisco, rascunho, resumo




Esther Lisboa

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