23 abril 2015

À Você e o Teu Sexo Descartável

Fotografia por Bernardo Moreira






Enquanto o mundo foi seco,
Você me fez chuva
no céu da tua boca.
Inundou o quarto,
Imunda o resto de integridade.
Fez o meio das minhas pernas
de cinzeiro pra tua língua,
minha barriga de almofada pras tuas unhas.
Minhas costas
 de apoio pros teus beijos,
Meus olhos de descanso pros teus.

De cada amor, não espero menos que o impossível.
Desejo sempre o inesperado, quero mais que tudo que já vivi.

 Mas contigo, cada pouco era muito,
  era acordar às quatro da manhã,
e te ver antes de qualquer coisa.
sair sem casaco,
sem hora pra voltar.
Na incerteza que o teu corpo me serviria de abrigo.
(Teus dedos entre os meus protegiam mais que qualquer oração).


Por tua culpa
Vesti-me de tudo que nunca soube gostar de ser.
Minha ingenuidade se apaixonou pelas tuas palavras.
Meu vazio se encaixou com o teu convexo.
O teu côncavo, com o melhor que pude achar em mim.


 Espero que os teus dedos ainda tenham o gosto do meu íntimo.
(O meu intrínseco remanesce dormente por culpa do seu.)
Que o meu riso esteja nos teus ouvidos
Que o meu toque esteja no teu
quando este encontrar o teu prazer novamente.


 O suor que escorre pela janela do meu quarto é seguimento do que me cresce por dentro,
do que vai embora,
 limpa meu corpo da agonia.
Sozinha
Contorço
Abro cicatrizes com os dedos.
Deitada
Inquieta
Disposta
Insisto
A boca abre
Os olhos fechados
se apertam


Eu sei me amar sozinha.







Quase no jornal de tão desaparecida, Ana.

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