28 abril 2015

Lovely Rita

Tudo bom galera?  Hoje eu queria apresentar a Rita pra vocês, ela é uma personagem que eu criei ano passado, em uma noite de insônia, e agora eu resolvi voltar a escrever e estou com umas ideias novas pro final da história...

Espero que gostem e beijocas.


CAPITULO 1

 E mais uma vez ela se levantou da cama, sonolenta e atrasada, cambaleou um pouco procurando a calça jeans surrada e o sutiã no meio do monte de roupas amontoadas da sua cadeira e prometeu para si mesma que dormiria mais cedo hoje e arrumaria a casa melhor na sexta, mas no fundo ela sabia que era mentira, a mais ou menos 3 semanas que a insônia já a atacava com duros golpes e a tempos que a sua disposição para arrumar a sua pequena kit de 3 cômodos\estúdio tinha ido embora. Já vestida caminhou para o banheiro, escovou os dentes, se olhou no espelho e pensou: ‘’ bem, Rita você está com a aparência de uma doente’’. O que em partes não deixava de ser verdade. Logo em seguida passou as mãos molhadas no cabelo com a esperança de que eles melhorassem um pouco sua aparência, olhou para seu estojo de maquiagem e logo justificou para si que a desculpa para seu desleixo com a aparência era culpa do atraso e faz mais uma promessa que não iria cumprir, a de que iria se arrumar amanhã. Já na cozinha, se deparou com algumas opções de café da manhã, mas nada que lhe agradasse, acabou por jogar uma maça, uma garrafa de agua e uma barrinha de cereal na bolsa, depois pegou um Danone e comeu todo ele com uma só colherada que jogou na pia, ao menos a louça estava lavada. Saindo do prédio e se preparou para a caminhada de 15 minutos até o metro colocando seus fones de ouvido, ao menos ainda existia algo em seu dia que ainda lhe dava um pouco de prazer, ou ela ainda fazia algo em seu dia que lhe dava prazer, ouviu Radiohead, pulou the smiths, decidiu que a banda dia seria oasis. Chegou ao metro, desceu as escadas correndo 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,11,12,13degraus, alguns hábitos nunca mudam mesmo. Entrou no vagão e enquanto cambaleava de um lado pro outro ficou pensando sobre a vida e tentando convencer a si mesma que a sua solidão era por escolha, que os finais de semana em que ficava em sua kit assistindo a filmes de 1980, era a sua tão preciosa ‘’ liberdade’’. Pensava também na promessa de vida nova que pairava no ar com a mudança para a kit, as tardes desencaixotando livros... colando fotografias na parede que hoje já estão semi soltas... pensou tão profundamente que pensou alto e acabou por assim soltar no silencio matinal do vagão do metrô um audível ‘’ ai que bosta de vida, é tudo sempre a mesma coisa, sempre’’. O constrangimento tomou conta e sua face ficou corada, desejou não ter falado aquilo. Procurando por uma distração olhou alguém lendo um livro e pensou em quantos livros foi deixando para ler depois, quantos projetos foram ficando de lado... quando como de súbito reparou não só o livro mas quem era o leitor, não poderia ser, depois de quantos anos mesmo já haviam se passado desde que ela deixou de ser aquela estudante de ensino médio que acreditava que ia conhecer o mundo? Talvez 3 anos no máximo. Foi tomada por uma insegurança que fazia seu estomago pesar e se encolher. O que iria fazer? Será que deveria ir falar com ele? Olhou seus dedos em volta do livro e não notou nenhum anel de compromisso. Ponderou a situação, se falasse com ele corria o risco de ser bem constrangedor, mas se não falasse iria se arrepender imaginando como seria se o tivesse feito. Tomada por esse pensamento exagerado, caminho até o início do vagão e falou:

"- Um amigo uma vez me disse que Huxley era o único filosofo a se seguir.

(Então ele levantou o olhar do livro e ela se lembrou do que era contemplar o olhar dele, era como olhar as galáxias, belas por sua infinitude)

- Bom, ele era um cara muito inteligente.

(então os dois ficaram em silêncio por vergonha, enquanto se passavam lembranças da época em que se conheceram, eram adolescentes de não mais do que 15 anos, formados por espinhas, aglomerado de células, água, incertezas e sonhos)

- ...

- Nossa, quanto tempo Rita! 2 anos?

- Um pouco mais eu acho. E como vai a vida? o que você anda fazendo?

- Vou bem, estou trabalhando e fazendo faculdade. E você?

- Idem

- Qual curso você está fazendo mesmo?

-

- Você ainda está fazendo?

- Não, mudei para

(E Rita nunca sentiu tanto pesar por ver a sua estação chegar e por não ter conseguido ter um diálogo interessante com Dexter. Enquanto isso ele a observava e lembrava daquela menina que tinha conhecido, se perguntou o que havia mudado nela? Conclui que foi somente o tempo, mas ele não havia mudado tanto assim.)

(Os dois se perguntaram porque nos livros os diálogos entre as pessoas eram tão mais interessantes do que aqueles que da vida  real, isso era algo que realmente os frustrava)

- Eu sabia. Foi muito bom te ver mas essa já é a minha estação

- É a minha também, vamos descer juntos? Pra onde você vai?

- Eu trabalho aqui perto no

Então, os dois saíram caminhando sobre aquela manhã cinzenta, passaram por prédios não tão altos e ruas largas. Lembraram velhas historias como a vez em que se perderam no estacionamento. Pensaram nos velhos amigos com uma grande saudade e se perguntaram por onde estariam.

Chegando perto do ponto em que se separariam, ele de súbito tomou um folego e falou:

- Ei Rita, me dá seu telefone!

Ele envergonhando, ficou observando ela pegando um pedaço de papel e uma caneta da bolsa sem pronunciar uma palavra, escreveu seu telefone e somente na hora de entregar foi que falou:

- Vou sair as 18 a gente podia tomar um café o que acha?

-Ok ok, ótimo, eu te ligo. Ele falou enquanto andava de costas no sentido contrário e balançava o papel. Ela ficou observando ele depois se virar, guardar o papel e sumir de vista. Enquanto em seus lábios pairava um sorriso de pura ironia da vida até chegar em seu local de trabalho. Claro que não poderia ser felicidade, não poderia ser, a final de contas era da vida de Rita fulana que estamos falando.

A duas quadras dali Dexter se perguntava porque tinha agido de tal forma? Se sentiu idiota, de repente uma agitação tomava contata do seu corpo, o que era aquilo? será que gostava de Rita? não, imagina! ela tinha sido somente uma boa amiga e estava feliz por ter a reencontrado, só isso.  Por que se ele gostasse dela seria uma grande ironia do destino, e essas coisas de destino só acontecem em livros não na vida real, não é mesmo? não com Dexter de tal, ele não acreditava mais nessas coisas.

Porém, aquela tarde passou arrastada para os dois, por mais que tentassem se concentrar nas tarefas do trabalho, seus pensamentos voavam para um passado não muito distante onde Rita passava horas no telefone só escutando fulano tocar ou conversando sobre a forma em que viam o mundo, eram nesses momentos em que um apresentava ao outro da forma mais pura as suas almas. Como pode aquela amizade acabar? Como foram se esquecer de tantas risadas e eram tantas risadas que costumavam perder o folego.

 Então de pois de Rita ter olhado 48 vezes para o seu relógio do pulso e fulano ter desbloqueado seu celular por 25 vezes para mandar uma mensagem para ela o fim do expediente chegou e com ele o ridículo de terem saído correndo. Fulano ligou e pediu que ela esperasse em frente ao prédio em que trabalhava que ele a iria buscar no seu carro recém saído da oficina. Rita correu para o banheiro, revirou a bolsa na busca de algo que melhorasse um pouco sua aparência, só achou um batom vermelho e um rímel incolor, fez o melhor que pode, passou a mão pelos cabelos que já se encontravam na altura do ombro e lutou contra a vontade de cortá-lo, passou um desodorante e arrumou a blusa. O que era aquilo? ela pensou, deixe de ser ridícula, por favor!  Isso não é um encontro! pare de agir como se você ainda fosse aquela garota tolinha que era apaixonada por ele, entendeu? Mas no momento em que saiu do prédio e o viu parado encostado no seu carro com um cigarro pendendo nos lábios, ela se lembrou perfeitamente por que tinha se apaixonado por ele.

Dexter no momento no em Rita saiu pela porta ele balbuciou um UAU!! Das duas uma, ou ele tinha ficado cego o seu ensino médio todo ou de uma hora pra outra ela tinha virado um mulherão, mas logo reprimiu aquele pensamento e a vontade de fazer algum comentário sobre a sua aparência, mas qualquer coisa que falasse pareceria vulgar de mais. Agora já era tarde para pensar nela assim, o momento deles já tinha passado, além do mais aquilo NÃO ERA UM ENCONTRO.

Entraram no carro, começaram a ouvir The Who e NOSSA! Aquele pôr do sol estava realmente incrível. E quando começou a tocar its the end of the word do REM, Rita começou a cantar e falar que sem dúvida aquela era a melhor música deles, não adiantava o quanto dexter argumentasse em favor de losing my religion, ela não iria mudar de ideia. Chegaram a cafeteria e optaram por sentar do lado de fora, para melhor observar aquele pôr do sol único, pediram dois cafés e alguns biscoitos. A conversa continuou na esfera musical

- Que banda é essa que está tocando?

- Não tenho a menor ideia, mas não se faz mais música boa como antigamente

- Você parece um velho falando, mas o pior é que tenho que concordar com você

- Eu realmente não tenho paciência nem vontade de escutar nada depois de 1970, as vezes acho que nasci na década errada...

- Eu acho que já nasci velha. Mas acho que tenho que discordar de você, a década de 1980 tem música boa também.

E assim a conversa continuou, o tempo foi passando sem perceberem. Eles se encontravam naquele tipo de sintonia em que não precisava se pensar no que ia falar, a conversa simplesmente fluía de forma agradável.

Rita se surpreendeu o quanto ainda conhecia a respeitos dos estranhos hábitos daquele rapaz e

como naquele tempo ele havia a influenciado.

Ele, em contra ponto, estava cada vez mais animado com os temas daquela conversa, ela fazia ele se sentir aquele adolescente descolado que ele era na época em que se conheceram, não um semi adulto frustrado que havia se tornado.

Então, foi ai que ele fez a pergunta:

- Por que a gente não acabou junto mesmo?

Uma onda de raiva tomou conta do corpo dela. Não podia acreditar no que estava ouvindo, era demais aquilo. Pensou em responder porque vc nunca quis, seu babaca, e sair andando daquele lugar. Mas julgou que ele não a compreenderia. Por fim com um que de tristeza falou

- Não sei. -com a voz falha- talvez fossemos imaturos de mais aquela época.

E aquela mentira conveniente pesou.

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